sábado, 20 de outubro de 2018

Pensamento 1 *O inicio*


Não intendia o que estava passando, mas me sentia diferente dos outros meninos. Todos esperavam a hora da Educação Física para poder passar aqueles tão sonhados 50 minutos jogando futebol. Nunca consegui intender tamanha felicidade em ficar correndo atrás de uma bola feito bobos, transpirando, e se ofendendo durante aquele jogo, mas bem quem sou eu para julgar.

Fim da aula e finalmente o sino toca, eu feliz e com muita fome apenas digo graças a deus acabou, a professora “louca” hoje vejo e intendo o porquê desta afirmação, me chama e diz que vai me dar uma ficha de advertência pela gracinha. Na hora fiquei sem intender e me perguntando o porquê de tal atitude... fui para casa, e com medo da reação de meus pais tentei esconder aquela advertência de todas as formas, porem minha mãe sempre com o costume de futricar em minha mochila viu a mesma, e ai tudo começou, as broncas, brigas, e por ai vai... porem ao meu intender era apenas uma criança, tinha apenas 13 anos de idade.


No dia seguinte meus pais me acompanharam a escola, e junto vieram reclamações onde professores diziam que eu não fazia as tarefas que passavam para casa, que eu não me comprometia com as coisas, que eu nunca fazia esporte com os meninos, que eu era diferente...

Mais uma vez eu acabei apanhando, sim obvio que eu sabia que não era um menino tão bom e aplicado como queriam, porém, não me sentia bem ali, não gostava daquele ambiente e não tinha vontade de estudar, e eu não me sentia bem ali, porem nesta época não te saberia explicar a razão.

O ano foi passando e eu comecei a me aplicar mais, até mesmo porque minha mãe ficava em meu pé direto. Voltávamos da educação física onde todos os meninos estavam transpirados e fedendo, e um quem não ia muito com minha cara, me pega e bagunça meu cabelo (sim eu tenho cabelo cacheado), naquele momento eu fiquei roxo de raiva e fui para cima dele, onde eu o esmurrava e gritava para nunca mais tocar em mim. A professora que era a mesma que havia me dado advertência começou a me chama de louco, que era para eu ira sala do diretor, mas até então para mim eu não havia feito nada demais, apenas me defendido, coisa que ninguém daquela escola fazia por mim... na hora de ir embora vejo que o carro do meu pai estava estacionado na frente da escola, porem estava trancado, ele se encontrava na sala da direção. Saindo não me disse nada, apenas entramos no carro, no meio do caminho eu o olho e o vejo chorando, ele meio sem jeito me olhou e disse: “O que eu vou mostrar a meus amigos”. Eu sem intender nada não respondi... quando chegamos em casa minha mãe estava chorando muito, quando ela me viu me abraçou e só disse que tudo ia resolver que íamos ao psicólogo e tudo ia ficar normal...

E foi assim por 5 anos, psicólogos, igrejas, tentando tirar o demônio de onde nunca existiu... devem estar se perguntando o que aconteceu na direção né?? O diretor no dia da briga ligou para minha mãe e disse: “Senhora, eu estive observando seu filho desde o maternal, hoje ele está terminando a oitava série, e eu tinha esperança de que ele mudasse com o tempo, mas hoje vejo que isso não vai acontecer, e eu digo que seu filho é gay!”

Eu nem sabia o que significa ser gay, e alguém já dizia isso com toda convicção, minha vida ficou pior durante os 5 anos que passaram, trocando de escolas, psicólogos, família criticando pelas costas, minha mãe sempre chorando, meu pai sem olhar em minha cara, e por aí vai. Digamos que foram os 5 anos de inferno, porem eu iria descobrir a partir daí que o inferno estaria apenas começando.

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As vezes essas lembrando hoje em dia batem e me fazem intender tantas coisas no passado, como por exemplo o por que os professores me odiavam tanto. Não era por mim e sim pelo fato de eu ser gay. O por que a louca agia como agia comigo, não era por ser louca e sim por me odiar... eu vim intender isso muitos anos depois, quando eu já estava formando na faculdade de Enfermagem e havia começado a dar aula. E não era apenas ela e sim outras... de todas as professoras que tive eu conto nos dedos as que realmente gostavam de mim, eu vou falar aqui no decorrer quando for contando fatos do passado e q me fazem pensar no hoje em dia a perseguição que eu sofria, e me fazem perguntar o porquê de fazer isso com uma criança que ainda brincava de carinho e boneca algumas vezes escondido. Será que nunca pensam na criança? No que ela sente e em como ela se sente? Se é ela quem quer assim ou se é algo natural onde ela não controla isso.

Hoje tenho 31 anos. Nunca mais encontrei essa professora, porem confesso que ainda tenho o rancor no peito e uma vontade grande de reencontrar a mesma apenas para mostrar a ela o que eu sou hoje. Não eu não vejo isso como vingança, apenas um desejo de mostrar que aquela criança que ela tanto odiava cresceu e é uma pessoa machucada e magoado pela ignorância dela, pois uma pessoa que trabalha com a educação de crianças ao meu ver não poderia agir como ela e muitas outras agiram quando se tratavam a mim.

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