quarta-feira, 26 de setembro de 2018

Entre Sonhos: Hugo - Capítulo 1


Capítulo 1

Noite de verão, um calor ao qual eu nunca tinha sentido antes, muitas coisas haviam acontecido nessa semana. Eu havia acabado de me mudar para outro pais para fazer uma nova graduação e tentar uma vida melhor para poder ajudar meus pais. Estava em adaptação ainda, começando pelo clima.

Nessa noite em especifico estava muito abafado, nem mesmo o ventilador ligado estava conseguindo refrescar, o clima estava bem pesado.

Eu e meu melhor amigo e colega de quarto ficamos conversando até tarde, já que era sábado e não íamos sair, até mesmo porque na segunda já voltariam as aulas e queríamos estar descansados para começar a rotina. Quando dei por mim já eram 2 da manhã e estávamos conversando sem nem um pouco de sono. Quando inocentemente pensei em tomar um remédio para poder dormir, já que havia quase uma semana que não dormia bem, e todos os dias acordava mais cansado do que havia deitado, como se minha cabeça não parasse nem um segundo.

A última coisa que me recordo foi Filipe dizendo: “_Amigo desliga a TV porque você vai dormir logo. ” E assim o fiz.

Quando acordei eu não estava mais onde deveria estar, estou de frente um espelho sou eu fisicamente, porem o lugar que estou eu não reconheço, minha pele está mais lisa, meu cabelo está curto (algo que eu nunca gostei, mas até que não está feio).

Fiquei ali parado assustado olhando no espelho tocando aquele rosto, que era meu, mas não parecia o meu, pois não havia cicatrizes, a pele estava muito bem cuidada. Até que resolvi seguir e ver no que acontecia, porque afinal deveria ser um sonho onde ganhei na loteria. Escovei os dentes com aquela escova elétrica maravilhosa, onde quase não tinha trabalho algum. Havia um guarda roupa enorme onde estranhamente haviam apenas roupas pretas, e ao fundo dobrada, quase esquecido, um short rosa, peguei esse short e uma camiseta cinza, vesti junto com o único mocassim claro que havia dentro.

E sai do quarto para explorar aquela casa maravilhosa, afinal era apenas um sonho e eu queria aproveitar aquele mundo cada segundo que pudesse. Descendo as escadas encontrei uma mesa gigante cheia de coisas para comer, e dois empregados em pé aguardando uma senhora comer. Quando me viram logo se curvaram e disseram um bom dia meio abafado e tímido, e eu sorridente disse cantando: “_Bom dia pessoas. ”

Todos me olharam assustados, e eu sem dar importância continuei caminhando para ver o que de tão bom havia naquela enorme mesa, porque eu estava morrendo de fome, o que também achei um pouco estranho, mas logo pensei que deveria ser meu lado faminto querendo participar desse sonho.

Pego um prato e logo coloco um pão, algumas fatias de presunto e queijo, e mais algumas coisas que haviam ali, mas que nem prestei atenção ao certo o que era, afinal de contas eu só queria comer muito. Sento e me sirvo o maior copo que encontrei na mesa com suco de laranja. Sigo comendo e tomando meu suco sem perceber que as pessoas que estavam ali estavam feito estatuas me olhando, como se eu estivesse fazendo algo muito errado. Quando termino de comer olho para eles onde ficam vermelhos e logo pedem desculpas por estar me encarando. Minha única reação naquele momento é rir e dizer: “_Relaxa galera. Vocês não vão comer? Está tudo maravilhoso. Dê meus parabéns para quem fez esse banquete, está tudo magnifico. ” Antes que me respondessem saio cantando querendo explorar ainda mais essa casa.

A casa é toda branca, não há fotos nas paredes, apenas alguns quadros de paisagens e muitas janelas, como se ao redor de toda a casa fosse de vidro. A casa parecia que era construída em uma montanha, onde ao fundo eu conseguia ver o mar, e uma linda e gigante piscina de agua cristalina, e eu fiquei louco para poder nadar, mas teria que voltar ao quarto e procurar uma sunga ou um short pra que eu pudesse usar.

Subi correndo as escadas sem olhar para aquelas pessoas que ainda seguiam paradas me olhando assustadas. Chegando no quarto saio abrindo todas as gavetas do guarda roupa até achar uma apenas com sungas pretas. Tudo bem nada com cor, mas eu queria mesmo nadar, porque não sabia quanto tempo não fazia isso, e também queria mostrar um pouco daquele corpo todo malhado.

Fico ali naquela piscina por umas duas horas mais ou menos, apenas vegetando, e curtindo o momento. Até que me chega uma pessoa de terno preto toda séria, meio nervosa, e logo diz: “_Você não vai trabalhar não querido? Ou você acha que as contas dessa casa são pagas sozinhas? “

Eu apenas ri e disse: “_Hoje é meu dia de sonho, me dei folga para curtir a vida. Você deveria fazer o mesmo, vá pegar uma sunga e venha nadar também, você está precisando muito, parece que anda muito estressado! ” E fiquei rindo ali, enquanto aquela pessoa ficava me encarando sem intender minha reação.

Voltei a mergulhar, quando volto vejo que ele já não está mais ali parado me olhando e sim conversando com um dos criados que ficaram me encarando pela manhã, mas nem dei muita moral, e continuei me divertindo ali mesmo.

Passado um tempo resolvo subir para buscar algo para comer, e ver se saia um pouco para explorar aquela cidade. Saindo da piscina vejo o rapaz de terno ainda parado ali olhando o tablete que estava em sua mão e digo: ”_Ei você, fica parado ai, vou banhar e já volto para te dar o prazer de me levar para comer algo e dar uma volta na cidade. Muito tempo que não faço isso e quero me divertir hoje. ”

Ele assustado diz: “_Mas pra onde você quer ir? ”

“_Não sei, quero sair da rotina hoje, me surpreenda. Sei que você é capaz, e não me venha com qualquer lugar não, afinal de contas o sonho é meu e eu mereço o melhor! ”. Ele me olha com uma cara de espanto e eu saio rindo alto ainda me secando.

Chego no quarto, banho e volto a vestir o short rosa, afinal de contas não queria por roupa preta, não estou de luto, e queria que esse sonho fosse perfeito. Quando chego nas escadas vejo aquele garoto de terno parado como uma estátua me esperando, e eu logo digo: “_Ei coisinha, pode vir aqui trocar essa roupa, não vou sair com você usando esse terno não seu engomadinho, você tem quase o mesmo corpo que eu, acho q uma roupa minha vai te servir, pode vir aqui anda! “ Me viro e volto para o quarto apenas pensando que roupa eu ia arrumar para aquela pessoa que não fosse tão preta.

Chegando no quarto começo a tirar tudo que tem no guarda roupa procurando uma roupa para ele, até que encontro uma calça jeans meio velha pela aparência do jeans que parece estar esquecida ali a muitos anos, uma camiseta branca, e um tênis de academia. Ele meio sem intender pega as roupas e fica me olhando. Minha barriga estava roncando de fome, então estava meio sem paciência disse alto: “_ Anda demônio tira a roupa e veste ou quer q eu vista pra você. Desenrola que estou com fome! “

Ele meio sem jeito pegou as roupas de minha mão e foi abrindo a porta para sair do quarto, mas antes mesmo de abrir a porta eu disse: “_Ei onde você pensa que vai, tira essa roupa aqui logo, vou te atacar não. Tudo que você tem eu também tenho, não tem que ter vergonha não. ANDA! “

Ele sem reação tirou a mão da maçaneta e ficou tentando intender o que estava acontecendo, porem eu estava com muita fome, e assim fico meio sem paciência, me dirigi até ele e fui abrindo sua roupa, ele com uma cara muito assustada e sem reação não fez nada, apenas ficou ali parado observando. Após tirar seu paletó sua grava e começado a abrir sua camisa parei e pensei no que estava fazendo, e meio sem graça porem sem querer demonstrar disse em um tom meio esnobe: “_Oshi porque estou fazendo isso, o empregado é você tire você mesmo. E vai rápido demônio que estou com muita fome. “ Então ele muito rápido terminou de tirar suas roupas e vestiu as que lhe entreguei.

Quando ele estava terminando de amarrar o tênis eu abri a porta e sai andando rápido, não sei se por vergonha do ocorrido ou vontade de comer.

Abrindo a porta de entrada da casa fiquei parado, sem saber o que fazer, para onde ir, até mesmo o que fazer. Até que o garoto que havia conseguido me deixar com vergonha (coisa rara de se acontecer) apareceu atrás de mim dizendo: “_O senhor quer ir no seu carro ou vamos no meu? ”

“_Vamos no seu mesmo, até mesmo porque é você quem está me levando pra comer, e já aviso que você quem vai pagar a conta, porque uma coisa que eu não sou é obrigado a nada! ” Ao terminar de dizer isso comecei a rir descontroladamente. E ele me olhando assustado.

No carro eu tentei puxar assunto para descontrair e logo perguntei: “_Ei por que toda vez que brinco ou faço algo todos me olham assustados? ”

Ele meio tímido respondeu: “_O senhor nunca brinca, nunca conversa com ninguém, sempre que alguém fala algo é respondido com um olhar de desaprovação. Sua vida é trabalhar apenas, nunca se diverte e muito menos sorri. ”

Eu comecei a rir e disse: “_Menino isso vai mudar, porque a vida é só uma, e eu vim a esse mundo para viver loucamente, vamos curtir a vida louca. ” E comecei a rir.

Ele começando a se soltar deu uma risada meio tímida, porem divertida, e eu para seguir brincando logo disso: “_Está rindo por que? Quem pediu para você rir? ” E ri loucamente

Ele imediatamente parou de rir, me causando mais risos e disse: “_Relaxa pessoa eu estou apenas brincando, relaxa e se solta. ” ele voltou a rir um pouco mais tímido desta vez, mas nem dei moral.

Chegando no restaurante, abri a porta e sai rápido para entrar, porem parei na porta congelado, pensando no que ele havia me dito, então esperei que ele viesse para que ele pedisse tudo, afinal de contas o Hugo Filipe que todos conheciam eu não poderia fazer porque afinal não era eu.

Ele foi até a recepcionista e disse algo que não pude intender e logo ela disse: “_Senhor é um prazer recebe-lo em nosso restaurante, irei coloca-los na mesa do andar de cima, onde pode ver toda a cidade, o senhor vai amar. ” Eu tentando me comportar um pouco da forma que ele havia me dito logo disse: “_Meu amorzinho você está falando muito e estou vendo muita pouca atitude, vai que eu estou com fome. Comeria até uma vaca se fosse possível! ”  Me segurei um pouco para não rir, porem o demônio que estava ao meu lado estava morrendo de tanto rir.

Chegando na mesa ele me perguntou meio timidamente: “_Posso te perguntar uma coisa? Mas por favor não me interprete de forma errada por favor. ”

“_Oshi claro que pode, desembucha ai.”

“_O que está acontecendo? Por que nunca te vi com bom humor assim, e também está falando de uma forma meio engraçada.”

“_Eu sei que isso é apenas um sonho, e vida boa assim não tenho, então quero curtir cada segundo como se fosse o ultimo.”

“_Como assim um sonho? Desculpa mas eu não intendi muito bem.”

“_Para de perguntar então e apenas me leva para curtir bem esse dia ok?”

“_Ok desculpa, então vamos curtir o seu dia de sonho!”  E começou a rir novamente.

Antes que eu pudesse falar algo o garçom veio trazendo alguns pratos dizendo: “_O chefe pedi licença, e envia para o senhor os melhores pratos do nosso menu.”

“_Opa, assim que eu gosto, baixa tudo ai que estou com fome!”

E sem me importar com a reação do garçom já fui pegando aquele prato e comendo como se fosse a última coisa que eu faria naquele sonho, afinal eu não tinha ideia de quando poderia acordar, e queria desfrutar intensamente.

Após o almoço me dei conta que ainda não sabia o nome daquele carinha que estava me acompanhando todo o tempo, e eu meio com vergonha porem tentando parecer descontraído disse: “_Ou demônio qual seu nome? Ou posso te chamar de demônio mesmo? ”

Ele rindo de uma forma meio sarcástica disse: “_A pessoa em sonhos tem amnésias? Me chamo Edgar, mas pode me chamar como desejar mesmo, está engraçado você me chamando de demônio! ”

“_Ok Edgar e onde vamos agora? ”

“_Não sei, afinal de contas o sonho é seu, onde quer que te leve? ” Ele disse rindo descontroladamente.

Sem me importar com sua risada disse: “_Não sei, me leva pra qualquer lugar, onde você nunca imaginaria que eu fosse. ”

“_Serio mesmo? ”

“_Oshi se eu estou falando que sim é porque tenho certeza né coisa estranha. ”

“_Ok então, não vale reclamar depois em! ”

Sem importar muito entrei no carro, e liguei o som, e fui passando as musicas procurando algo que eu conhecesse. Sem achar nenhum logo perguntei: “_Gente, mas não tem uma musica que preste aqui?”

“_Hahaha e que tipo de música você quer ouvir?”

“_Algo dançante com uma batida boa.”

Então ele pelo volante do carro foi trocando as músicas até colocar em uma música trance, porem com a uma batida que me fazia me sentir mais leve. Então acenei com a cabeça e ele deixou tocando.

Enquanto ele dirigia e eu ouvia aquela música, não falei nada, apenas fiquei observando aquela cidade, aqueles prédios altos, todos com vidros espelhados, parecendo aquelas cidades de cinema, porem me sentia como se já tivesse estado ali e conhecesse, mas não saberia explicar essa sensação.

Um bom tempo depois que estávamos andando de carro, ele estaciona e diz: “_Bom chegamos, preparado para se divertir como se ainda fosse uma criança? E fica tranquilo que estou seguro que aqui ninguém sabe quem é você.”

“_Assim que eu gosto hahahaha.”

Quando olhei para o lado vi que estávamos em um parque de diversões, fiquei tão feliz em estar ali, queria me divertir muito, afinal havia anos que não ia em um.

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