Capítulo 1
Noite de verão, um calor ao qual
eu nunca tinha sentido antes, muitas coisas haviam acontecido nessa semana. Eu
havia acabado de me mudar para outro pais para fazer uma nova graduação e
tentar uma vida melhor para poder ajudar meus pais. Estava em adaptação ainda,
começando pelo clima.
Nessa noite em especifico estava
muito abafado, nem mesmo o ventilador ligado estava conseguindo refrescar, o
clima estava bem pesado.
Eu e meu melhor amigo e colega de
quarto ficamos conversando até tarde, já que era sábado e não íamos sair, até
mesmo porque na segunda já voltariam as aulas e queríamos estar descansados
para começar a rotina. Quando dei por mim já eram 2 da manhã e estávamos
conversando sem nem um pouco de sono. Quando inocentemente pensei em tomar um
remédio para poder dormir, já que havia quase uma semana que não dormia bem, e
todos os dias acordava mais cansado do que havia deitado, como se minha cabeça
não parasse nem um segundo.
A última coisa que me recordo foi
Filipe dizendo: “_Amigo desliga a TV porque você vai dormir logo. ” E assim o
fiz.
Quando acordei eu não estava mais
onde deveria estar, estou de frente um espelho sou eu fisicamente, porem o
lugar que estou eu não reconheço, minha pele está mais lisa, meu cabelo está
curto (algo que eu nunca gostei, mas até que não está feio).
Fiquei ali parado assustado
olhando no espelho tocando aquele rosto, que era meu, mas não parecia o meu,
pois não havia cicatrizes, a pele estava muito bem cuidada. Até que resolvi
seguir e ver no que acontecia, porque afinal deveria ser um sonho onde ganhei
na loteria. Escovei os dentes com aquela escova elétrica maravilhosa, onde
quase não tinha trabalho algum. Havia um guarda roupa enorme onde estranhamente
haviam apenas roupas pretas, e ao fundo dobrada, quase esquecido, um short
rosa, peguei esse short e uma camiseta cinza, vesti junto com o único mocassim
claro que havia dentro.
E sai do quarto para explorar
aquela casa maravilhosa, afinal era apenas um sonho e eu queria aproveitar
aquele mundo cada segundo que pudesse. Descendo as escadas encontrei uma mesa
gigante cheia de coisas para comer, e dois empregados em pé aguardando uma
senhora comer. Quando me viram logo se curvaram e disseram um bom dia meio
abafado e tímido, e eu sorridente disse cantando: “_Bom dia pessoas. ”
Todos me olharam assustados, e eu
sem dar importância continuei caminhando para ver o que de tão bom havia
naquela enorme mesa, porque eu estava morrendo de fome, o que também achei um
pouco estranho, mas logo pensei que deveria ser meu lado faminto querendo
participar desse sonho.
Pego um prato e logo coloco um
pão, algumas fatias de presunto e queijo, e mais algumas coisas que haviam ali,
mas que nem prestei atenção ao certo o que era, afinal de contas eu só queria
comer muito. Sento e me sirvo o maior copo que encontrei na mesa com suco de
laranja. Sigo comendo e tomando meu suco sem perceber que as pessoas que
estavam ali estavam feito estatuas me olhando, como se eu estivesse fazendo
algo muito errado. Quando termino de comer olho para eles onde ficam vermelhos
e logo pedem desculpas por estar me encarando. Minha única reação naquele
momento é rir e dizer: “_Relaxa galera. Vocês não vão comer? Está tudo
maravilhoso. Dê meus parabéns para quem fez esse banquete, está tudo magnifico.
” Antes que me respondessem saio cantando querendo explorar ainda mais essa
casa.
A casa é toda branca, não há
fotos nas paredes, apenas alguns quadros de paisagens e muitas janelas, como se
ao redor de toda a casa fosse de vidro. A casa parecia que era construída em
uma montanha, onde ao fundo eu conseguia ver o mar, e uma linda e gigante
piscina de agua cristalina, e eu fiquei louco para poder nadar, mas teria que
voltar ao quarto e procurar uma sunga ou um short pra que eu pudesse usar.
Subi correndo as escadas sem
olhar para aquelas pessoas que ainda seguiam paradas me olhando assustadas.
Chegando no quarto saio abrindo todas as gavetas do guarda roupa até achar uma
apenas com sungas pretas. Tudo bem nada com cor, mas eu queria mesmo nadar,
porque não sabia quanto tempo não fazia isso, e também queria mostrar um pouco
daquele corpo todo malhado.
Fico ali naquela piscina por umas
duas horas mais ou menos, apenas vegetando, e curtindo o momento. Até que me
chega uma pessoa de terno preto toda séria, meio nervosa, e logo diz: “_Você
não vai trabalhar não querido? Ou você acha que as contas dessa casa são pagas
sozinhas? “
Eu apenas ri e disse: “_Hoje é
meu dia de sonho, me dei folga para curtir a vida. Você deveria fazer o mesmo,
vá pegar uma sunga e venha nadar também, você está precisando muito, parece que
anda muito estressado! ” E fiquei rindo ali, enquanto aquela pessoa ficava me
encarando sem intender minha reação.
Voltei a mergulhar, quando volto
vejo que ele já não está mais ali parado me olhando e sim conversando com um
dos criados que ficaram me encarando pela manhã, mas nem dei muita moral, e
continuei me divertindo ali mesmo.
Passado um tempo resolvo subir
para buscar algo para comer, e ver se saia um pouco para explorar aquela
cidade. Saindo da piscina vejo o rapaz de terno ainda parado ali olhando o
tablete que estava em sua mão e digo: ”_Ei você, fica parado ai, vou banhar e
já volto para te dar o prazer de me levar para comer algo e dar uma volta na cidade.
Muito tempo que não faço isso e quero me divertir hoje. ”
Ele assustado diz: “_Mas pra onde
você quer ir? ”
“_Não sei, quero sair da rotina
hoje, me surpreenda. Sei que você é capaz, e não me venha com qualquer lugar
não, afinal de contas o sonho é meu e eu mereço o melhor! ”. Ele me olha com
uma cara de espanto e eu saio rindo alto ainda me secando.
Chego no quarto, banho e volto a
vestir o short rosa, afinal de contas não queria por roupa preta, não estou de
luto, e queria que esse sonho fosse perfeito. Quando chego nas escadas vejo
aquele garoto de terno parado como uma estátua me esperando, e eu logo digo:
“_Ei coisinha, pode vir aqui trocar essa roupa, não vou sair com você usando
esse terno não seu engomadinho, você tem quase o mesmo corpo que eu, acho q uma
roupa minha vai te servir, pode vir aqui anda! “ Me viro e volto para o quarto
apenas pensando que roupa eu ia arrumar para aquela pessoa que não fosse tão
preta.
Chegando no quarto começo a tirar
tudo que tem no guarda roupa procurando uma roupa para ele, até que encontro
uma calça jeans meio velha pela aparência do jeans que parece estar esquecida
ali a muitos anos, uma camiseta branca, e um tênis de academia. Ele meio sem
intender pega as roupas e fica me olhando. Minha barriga estava roncando de
fome, então estava meio sem paciência disse alto: “_ Anda demônio tira a roupa
e veste ou quer q eu vista pra você. Desenrola que estou com fome! “
Ele meio sem jeito pegou as
roupas de minha mão e foi abrindo a porta para sair do quarto, mas antes mesmo
de abrir a porta eu disse: “_Ei onde você pensa que vai, tira essa roupa aqui
logo, vou te atacar não. Tudo que você tem eu também tenho, não tem que ter
vergonha não. ANDA! “
Ele sem reação tirou a mão da
maçaneta e ficou tentando intender o que estava acontecendo, porem eu estava
com muita fome, e assim fico meio sem paciência, me dirigi até ele e fui
abrindo sua roupa, ele com uma cara muito assustada e sem reação não fez nada,
apenas ficou ali parado observando. Após tirar seu paletó sua grava e começado
a abrir sua camisa parei e pensei no que estava fazendo, e meio sem graça porem
sem querer demonstrar disse em um tom meio esnobe: “_Oshi porque estou fazendo
isso, o empregado é você tire você mesmo. E vai rápido demônio que estou com
muita fome. “ Então ele muito rápido terminou de tirar suas roupas e vestiu as
que lhe entreguei.
Quando ele estava terminando de
amarrar o tênis eu abri a porta e sai andando rápido, não sei se por vergonha
do ocorrido ou vontade de comer.
Abrindo a porta de entrada da
casa fiquei parado, sem saber o que fazer, para onde ir, até mesmo o que fazer.
Até que o garoto que havia conseguido me deixar com vergonha (coisa rara de se
acontecer) apareceu atrás de mim dizendo: “_O senhor quer ir no seu carro ou
vamos no meu? ”
“_Vamos no seu mesmo, até mesmo
porque é você quem está me levando pra comer, e já aviso que você quem vai
pagar a conta, porque uma coisa que eu não sou é obrigado a nada! ” Ao terminar
de dizer isso comecei a rir descontroladamente. E ele me olhando assustado.
No carro eu tentei puxar assunto
para descontrair e logo perguntei: “_Ei por que toda vez que brinco ou faço
algo todos me olham assustados? ”
Ele meio tímido respondeu: “_O
senhor nunca brinca, nunca conversa com ninguém, sempre que alguém fala algo é
respondido com um olhar de desaprovação. Sua vida é trabalhar apenas, nunca se
diverte e muito menos sorri. ”
Eu comecei a rir e disse:
“_Menino isso vai mudar, porque a vida é só uma, e eu vim a esse mundo para
viver loucamente, vamos curtir a vida louca. ” E comecei a rir.
Ele começando a se soltar deu uma
risada meio tímida, porem divertida, e eu para seguir brincando logo disso:
“_Está rindo por que? Quem pediu para você rir? ” E ri loucamente
Ele imediatamente parou de rir,
me causando mais risos e disse: “_Relaxa pessoa eu estou apenas brincando,
relaxa e se solta. ” ele voltou a rir um pouco mais tímido desta vez, mas nem
dei moral.
Chegando no restaurante, abri a
porta e sai rápido para entrar, porem parei na porta congelado, pensando no que
ele havia me dito, então esperei que ele viesse para que ele pedisse tudo,
afinal de contas o Hugo Filipe que todos conheciam eu não poderia fazer porque
afinal não era eu.
Ele foi até a recepcionista e
disse algo que não pude intender e logo ela disse: “_Senhor é um prazer
recebe-lo em nosso restaurante, irei coloca-los na mesa do andar de cima, onde
pode ver toda a cidade, o senhor vai amar. ” Eu tentando me comportar um pouco
da forma que ele havia me dito logo disse: “_Meu amorzinho você está falando muito
e estou vendo muita pouca atitude, vai que eu estou com fome. Comeria até uma
vaca se fosse possível! ” Me segurei um
pouco para não rir, porem o demônio que estava ao meu lado estava morrendo de
tanto rir.
Chegando na mesa ele me perguntou
meio timidamente: “_Posso te perguntar uma coisa? Mas por favor não me
interprete de forma errada por favor. ”
“_Oshi claro que pode, desembucha
ai.”
“_O que está acontecendo? Por que
nunca te vi com bom humor assim, e também está falando de uma forma meio
engraçada.”
“_Eu sei que isso é apenas um
sonho, e vida boa assim não tenho, então quero curtir cada segundo como se
fosse o ultimo.”
“_Como assim um sonho? Desculpa
mas eu não intendi muito bem.”
“_Para de perguntar então e
apenas me leva para curtir bem esse dia ok?”
“_Ok desculpa, então vamos curtir
o seu dia de sonho!” E começou a rir
novamente.
Antes que eu pudesse falar algo o
garçom veio trazendo alguns pratos dizendo: “_O chefe pedi licença, e envia
para o senhor os melhores pratos do nosso menu.”
“_Opa, assim que eu gosto, baixa
tudo ai que estou com fome!”
E sem me importar com a reação do
garçom já fui pegando aquele prato e comendo como se fosse a última coisa que
eu faria naquele sonho, afinal eu não tinha ideia de quando poderia acordar, e
queria desfrutar intensamente.
Após o almoço me dei conta que
ainda não sabia o nome daquele carinha que estava me acompanhando todo o tempo,
e eu meio com vergonha porem tentando parecer descontraído disse: “_Ou demônio
qual seu nome? Ou posso te chamar de demônio mesmo? ”
Ele rindo de uma forma meio
sarcástica disse: “_A pessoa em sonhos tem amnésias? Me chamo Edgar, mas pode
me chamar como desejar mesmo, está engraçado você me chamando de demônio! ”
“_Ok Edgar e onde vamos agora? ”
“_Não sei, afinal de contas o sonho
é seu, onde quer que te leve? ” Ele disse rindo descontroladamente.
Sem me importar com sua risada
disse: “_Não sei, me leva pra qualquer lugar, onde você nunca imaginaria que eu
fosse. ”
“_Serio mesmo? ”
“_Oshi se eu estou falando que
sim é porque tenho certeza né coisa estranha. ”
“_Ok então, não vale reclamar
depois em! ”
Sem importar muito entrei no
carro, e liguei o som, e fui passando as musicas procurando algo que eu
conhecesse. Sem achar nenhum logo perguntei: “_Gente, mas não tem uma musica
que preste aqui?”
“_Hahaha e que tipo de música
você quer ouvir?”
“_Algo dançante com uma batida
boa.”
Então ele pelo volante do carro
foi trocando as músicas até colocar em uma música trance, porem com a uma
batida que me fazia me sentir mais leve. Então acenei com a cabeça e ele deixou
tocando.
Enquanto ele dirigia e eu ouvia
aquela música, não falei nada, apenas fiquei observando aquela cidade, aqueles
prédios altos, todos com vidros espelhados, parecendo aquelas cidades de
cinema, porem me sentia como se já tivesse estado ali e conhecesse, mas não
saberia explicar essa sensação.
Um bom tempo depois que estávamos
andando de carro, ele estaciona e diz: “_Bom chegamos, preparado para se
divertir como se ainda fosse uma criança? E fica tranquilo que estou seguro que
aqui ninguém sabe quem é você.”
“_Assim que eu gosto hahahaha.”
Quando olhei para o lado vi que
estávamos em um parque de diversões, fiquei tão feliz em estar ali, queria me
divertir muito, afinal havia anos que não ia em um.
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